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Escola Austríaca

Inflação não é destino

Por que o seu dinheiro perde poder de compra, e por que os números oficiais quase nunca batem com o que você vê no supermercado.

Bruno Fariasleitura de 6 min
Ilustração: uma torneira gigante despeja uma enxurrada de cédulas que inundam uma cidade, enquanto uma figura observa em segurança sobre um bloco elevado

A maioria das pessoas trata a inflação como se fosse chuva: algo que simplesmente cai do céu, que o governo administra, e contra o qual o cidadão pouco pode fazer. Eu pensava assim também, até estudar a Escola Austríaca de economia. Foi ali que a inflação deixou de ser um mistério e virou o que ela realmente é, uma consequência de decisões.

Vale uma honestidade de partida. Existe um consenso amplo de que a inflação está ligada ao aumento da base monetária, ou seja, à criação de mais dinheiro. Mas a ciência econômica ainda não estabeleceu com precisão como a inflação deveria ser medida. Há muitos métodos, muitas cestas de produtos, muitas escolhas que mudam o resultado. Isso por si só já deveria nos deixar desconfiados dos números prontos que recebemos.

O que a Escola Austríaca diz

Para a tradição austríaca, inflação é, na sua essência, o aumento da base monetária. O preço subindo na prateleira é o sintoma. A causa é a quantidade de dinheiro crescendo mais rápido do que a quantidade de bens e serviços. Confundir o sintoma com a doença é como tratar a febre achando que ela é a infecção.

O efeito disso na sua vida é silencioso e contínuo. Ano após ano, o seu dinheiro compra um pouco menos. A maior parte da população nunca parou para entender esse mecanismo, e é justamente aí que mora o problema. O governo nos apresenta um número oficial de inflação, mas é um número que quase ninguém consegue correlacionar com a própria realidade. Você sente isso toda vez que vai ao supermercado e percebe que a sua conta subiu muito mais do que o índice dizia.

A inflação não cai do céu. Ela é decidida, e quem decide raramente é quem paga a conta.

Tudo é oferta e demanda

Tem uma forma de enxergar isso que para mim organiza tudo. O preço de qualquer produto se move por oferta e demanda. Uma seca encarece o café, uma supersafra barateia o trigo, a moda muda e um produto some das prateleiras. Cada item tem a sua própria história de oferta e demanda, e essas histórias são todas diferentes entre si.

Existe, porém, uma única força comum a absolutamente todos os preços ao mesmo tempo: o aumento da base monetária. É a única variável que atinge o café, o trigo, o aluguel e o serviço de uma só vez, porque mexe no próprio dinheiro com que tudo é comprado. Por isso, no meu entendimento, quando falamos de inflação como fenômeno geral, e não do preço de um produto específico, a única base de cálculo que faz sentido é o aumento da base monetária. É a única coisa que todos os bens e serviços que o ser humano consome têm em comum.

Trago isso sem revolta. Trago porque entender o mecanismo liberta. No momento em que você percebe que a perda do seu poder de compra é fabricada, e não inevitável, você para de aceitar guardar tudo num instrumento feito para se desvalorizar. Inflação não é destino. É consequência, e existem ferramentas, antigas e novas, para se proteger dela. Começa por entender. O resto vem depois.

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