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Fundamentos · escassez

Por que escassez gera valor

O que não pode ser fabricado à vontade é o que protege o seu poder de compra. Essa é a ideia que sustenta tudo o que eu faço.

Bruno Fariasleitura de 5 min
Ilustração: um balde furado deixa escapar moedas que viram poeira, enquanto um bloco sólido permanece intacto sobre um pedestal

Escassez é uma palavra simples para uma ideia poderosa: existe pouco daquilo, e ninguém consegue produzir mais por vontade própria. Foi assim que a humanidade sempre escolheu onde guardar o resultado do seu trabalho. Quanto mais difícil é criar novas unidades de alguma coisa, mais essa coisa tende a preservar valor com o passar do tempo.

Com o dinheiro acontece o contrário. O dinheiro que usamos no dia a dia pode ser criado sem limite. Quando a base monetária cresce, ou seja, quando se coloca mais moeda em circulação, cada unidade que estava no seu bolso passa a representar uma fatia menor do total. Você não gastou nada, não fez nada de errado, e mesmo assim ficou um pouco mais pobre. Essa é a razão de fundo pela qual o dinheiro tende a perder valor: a sua oferta é praticamente infinita, e quem controla a impressora decide quanto existe.

O Bitcoin nasceu para virar essa lógica do avesso. Existirão no máximo 21 milhões de unidades, e esse número está escrito no código que milhares de pessoas verificam todos os dias. De um lado, o dinheiro do Estado, com limite infinito. Do outro, um ativo com teto absoluto. É por isso que o Bitcoin tende a ganhar valor ao longo do tempo: enquanto a oferta de moeda só cresce, a dele nunca passa do limite. A escassez trabalha a favor de quem guarda.

Isso não vale só para o dinheiro

Na vida, quase tudo que é escasso vale mais. Um diamante vale mais que um cascalho porque existe muito menos diamante. O ouro vale o que vale porque é raro e custa caro tirá-lo do chão. Os colecionáveis seguem a mesma regra: quanto menos unidades existem de algo, mais valioso ele costuma ser. A escassez não é um detalhe do mercado financeiro, é um princípio que aparece em todo lugar.

O exemplo que mais gosto de dar está na arte. A Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, é uma só. Existe uma única no mundo, e por isso é tratada como impagável. Em 1962 ela foi segurada por 100 milhões de dólares, o maior valor de seguro já atribuído a uma pintura, algo equivalente a cerca de 1 bilhão de dólares nos dias de hoje.

Compare com O Pensador, de Auguste Rodin, uma das esculturas mais famosas e admiradas que existem. Acontece que dela há cerca de 40 fundições autênticas espalhadas pelo mundo. O resultado é direto: mesmo sendo uma obra-prima, um exemplar de O Pensador foi vendido por cerca de 15 milhões de dólares, uma fração do valor atribuído à Mona Lisa. A genialidade é parecida. O que muda é a quantidade. Uma é única, a outra se repete dezenas de vezes, e o preço reflete exatamente isso.

Não é o talento que define o valor de guardar algo. É quantas cópias daquilo o mundo consegue produzir.

Por isso eu vejo a escassez como uma coisa positiva, e não como um problema. Ela é a forma mais antiga e mais testada de proteger aquilo que você construiu. Entender esse princípio muda a maneira como você olha para o próprio dinheiro, para o ouro e para o Bitcoin. É daqui que parte tudo o que você vai ler neste blog.

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